
5 de setembro de 2026 · NASA Earth Observatory · 3 min de leitura
Uma nova régua para medir florestas
Quanto carbono as árvores guardam, e como isso muda com o tempo, é a parte menos conhecida do ciclo do carbono. O lidar GEDI, da NASA, está medindo isso do espaço.
"A quantidade de carbono guardada pelas árvores na superfície da Terra, e como ela mudou com o tempo por causa de distúrbios e da rebrota que vem depois, é o aspecto menos compreendido do ciclo global do carbono", disse Ralph Dubayah, cientista de sensoriamento remoto da Universidade de Maryland. "Enquanto não soubermos quanto carbono há hoje nas florestas da Terra, e como isso mudou nos últimos 20 ou 30 anos, vai ser difícil prever quanto carbono a mais elas vão absorver no futuro, e se vão ajudar a frear ou a acelerar a concentração de gás carbônico na atmosfera."
Dubayah e colegas estão se dedicando a medir esse carbono, e têm uma ótima ferramenta nova para isso. A missão GEDI (Global Ecosystem Dynamics Investigation) está em operação há quase um ano na Estação Espacial Internacional, e os pesquisadores acabam de liberar ao público as primeiras medições de florestas do mundo inteiro.
O GEDI examina as florestas com lidar, a detecção e medição por luz. O instrumento dispara pulsos rápidos de três lasers e registra como a luz volta das superfícies e dos objetos para identificar sua posição e forma. A partir desses sinais, a equipe monta mapas tridimensionais detalhados da altura do dossel e da distribuição de galhos e folhas.
"Os mapas de biomassa tropical que existiam usavam dados de laser de quase 15 anos atrás, com menos de 5 milhões de observações no total", disse Dubayah, pesquisador principal do GEDI. "O GEDI faz seis milhões de observações de laser por dia. Sobre os trópicos, já coletamos cerca de cem vezes mais dados do que o que era considerado o estado da arte."
"Medir vegetação é difícil", disse Bryan Blair, pesquisador principal adjunto do GEDI. "Para medir a altura com precisão, usamos uma técnica chamada lidar de forma de onda, que mapeia a estrutura 3D das florestas. Para isso, precisamos atravessar o dossel e captar um sinal do chão que às vezes é muito fraco."
O GEDI enxerga a floresta como um conjunto de formas de onda que mostram a copa das árvores, o chão e os galhos, folhas e espaços vazios entre eles. Juntas, essas formas de onda revelam a estrutura da floresta — não só na vertical, mas também na horizontal. Com isso, os cientistas calculam quanta biomassa e quanto carbono há numa área de floresta.
Com um mapa global da massa de troncos, galhos e folhas, os pesquisadores podem estimar quanto carbono cada área de floresta contém e como isso muda com o tempo. Também será possível modelar a biodiversidade no mundo todo.
O que isso significa para a Reserva Legal
A medida de carbono que o GEDI faz do espaço mostra por que área de floresta, sozinha, não conta a história inteira: dois hectares iguais no mapa podem guardar quantidades muito diferentes de carbono, conforme a altura e a densidade das árvores.
Na Neutraza, cada FRU corresponde a um hectare de Reserva Legal com endereço — o polígono registrado no CAR. O que acompanhamos nesse hectare é se a cobertura florestal continua de pé, com imagens do Sentinel-2 a cada passagem e um índice de vegetação (NDVI) calculado só sobre os pixels da reserva. Medições de estrutura, como as do GEDI, são o passo seguinte da ciência: ajudam a estimar quanto carbono aquela floresta guarda, e não apenas se ela existe.
Para quem apoia uma reserva, a pergunta prática é simples: a floresta que eu protejo continua lá? É essa resposta que a página pública de cada FRU mostra, com a data de cada imagem.
Fonte: A New Measuring Stick for Forests — NASA Earth Observatory, texto de Jessica Merzdorf (NASA Goddard) com Mike Carlowicz, 27/01/2020. Texto original de agência do governo dos EUA, em domínio público. Imagem: NASA/USGS, da mesma matéria. Tradução para o português: Neutraza.