
19 de setembro de 2026 · USGS EROS Center · 4 min de leitura
Landsat 9: a base do combate ao desmatamento
O lançamento do Landsat 9, que estende um registro de quase 50 anos da superfície da Terra, dá estabilidade aos programas que medem e pagam pela redução do desmatamento.
O programa Landsat é, há muito tempo, um aliado poderoso no esforço de controlar e reduzir as emissões de carbono no mundo.
O lançamento do Landsat 9, que estende o registro de quase 50 anos de mudanças na superfície da Terra, vai ajudar a dar estabilidade a esse esforço, segundo profissionais que trabalham com países em desenvolvimento no monitoramento do desmatamento e da degradação florestal.
Andres Espejo é especialista sênior em carbono florestal no Grupo de Mudança do Clima do Banco Mundial. Ele gerencia US$ 1 bilhão em financiamento por resultados para países florestais que reduzem emissões do desmatamento e da degradação. Os pagamentos dependem de sistemas de medição, relato e verificação (MRV) das reduções. Hoje participam 18 países da África, da América Latina e da região Ásia-Pacífico.
O Landsat é um parceiro essencial por vários motivos. Primeiro, acompanhar o desmatamento em grandes extensões de floresta remota simplesmente não é possível sem satélites de observação da Terra. Segundo, os dados do Landsat são gratuitos, em vários formatos, tanto para quem roda algoritmos de monitoramento quase em tempo real quanto para pesquisadores individuais trabalhando na nuvem ou no próprio computador. Terceiro, e talvez o mais importante, o Landsat é o único sistema de observação da Terra com um registro longo o bastante para definir os parâmetros históricos com que o progresso de longo prazo é medido.
"É a pedra fundamental", disse Espejo em setembro, pouco antes do lançamento do Landsat 9. "Dá para fazer inventários florestais, inventários de campo, mas em muitos desses países não havia nada no passado, então não há como estabelecer uma linha de base. O único jeito é com imagens históricas, e a única observação sistemática da Terra que temos desde lá atrás é o Landsat."
Espejo trabalha em parceria com Naikoa Aguilar-Amuchastegui, do WWF, organização presente em mais de 100 países. Como diretor sênior de ciência do carbono florestal e responsável por MRV no WWF, Aguilar-Amuchastegui ensina equipes técnicas e de pesquisa de países em desenvolvimento a usar dados de satélite para acompanhar o desmatamento.
Mas esse não é o primeiro passo. Antes que um sistema de MRV comece a coletar e devolver dados de redução de emissões em troca de pagamentos, disse Aguilar-Amuchastegui, os países precisam concordar com uma referência histórica. Enquanto ele e sua equipe explicam, com especialistas locais, o que os dados do Landsat dizem ou não dizem sobre os estoques de carbono e as mudanças no uso da terra de um país, eles constroem o que chama de "declarações políticas informadas por dados".
Uma vez estabelecidas, essas declarações passam a ser a referência oficial de desmatamento e degradação do país participante. A partir daí, é possível fechar acordos de compensação pelas quedas que reduzem o carbono na atmosfera do planeta.
"Significa: como país, afirmo que esta é a minha referência, e portanto espero que o meu desempenho seja avaliado de um jeito ou de outro com base nela", disse Aguilar-Amuchastegui.
Pelo seu registro histórico, o Landsat é "o único sensor que permite entender de fato qual é o padrão histórico. O que é dinâmica natural e o que é causado pelo homem? E o que vamos fazer a respeito?"
As florestas guardam os maiores estoques de carbono, o que torna programas de monitoramento do desmatamento e da degradação, como os liderados pelo WWF e pelo Banco Mundial, especialmente importantes para conter a mudança do clima.
"As florestas são o motor do armazenamento de carbono", disse Benjamin Sleeter, geógrafo pesquisador do USGS. "Há outros ecossistemas que capturam e guardam carbono, como as áreas úmidas costeiras, que acumulam muito carbono no solo. Mas quanta área elas ocupam? Quando se olha para grandes áreas, a história é mesmo a das florestas."
O lançamento do Landsat 9 sinaliza um compromisso de longo prazo com a missão, disse Espejo, e portanto com a disponibilidade e a estabilidade da fonte de dados que sustenta os sistemas de MRV. Os dados dos sensores do Landsat 9 serão muito parecidos com os do Landsat 8, então os sistemas criados com o Landsat 8 não precisam ser refeitos.
"Fico feliz, porque um sensor diferente poderia trazer mais ruído ao sistema e criar complicações", disse Espejo. "Isso basicamente reforça as capacidades do Landsat 8."
O que isso significa para a Reserva Legal
Programas que pagam pela floresta em pé só funcionam se houver uma forma confiável e contínua de verificar que ela continua lá. É por isso que a continuidade de missões como o Landsat importa tanto.
A Neutraza se apoia na mesma infraestrutura pública. As análises usam o Sentinel-2, do programa Copernicus da União Europeia, com dados abertos; o espelho público do Sentinel-2 na nuvem serve de reserva quando o serviço principal fica fora do ar. Somam-se a isso os dados oficiais brasileiros: o CAR do imóvel e os mapeamentos do INPE.
Usar dados abertos e reproduzíveis é parte da proposta: qualquer pessoa pode conferir de onde vem cada imagem e cada número mostrado na página de uma reserva.
Fonte: Landsat 9 Serves as Backbone of Efforts to Reduce Deforestation and Forest Degradation — USGS Earth Resources Observation and Science (EROS) Center, 23/11/2021. Texto original de agência do governo dos EUA, em domínio público. Imagem: NASA/USGS, da mesma matéria. Tradução para o português: Neutraza.