
15 de setembro de 2026 · NASA Earth Observatory · 3 min de leitura
Mundo em mudança: o desmatamento em Rondônia
Rondônia virou uma das partes mais desmatadas da Amazônia. As imagens de satélite mostram um padrão previsível: primeiro a estrada, depois a "espinha de peixe".
O estado de Rondônia, no oeste do Brasil — que já teve 208.000 quilômetros quadrados de floresta, uma área pouco menor que a do estado de São Paulo —, virou uma das partes mais desmatadas da Amazônia. Nas últimas três décadas, a derrubada e a degradação das florestas do estado foram rápidas: 4.200 quilômetros quadrados desmatados até 1978; 30.000 até 1988; e 53.300 até 1998. Em 2003, estimava-se que 67.764 quilômetros quadrados de floresta tinham sido derrubados — área maior que a da Paraíba.
No início desta série de imagens do sensor MODIS, a bordo do satélite Terra, da NASA, a fronteira do desmatamento já tinha chegado ao remoto noroeste de Rondônia. A floresta intacta aparece em verde-escuro; as áreas derrubadas, em bege (solo exposto) ou verde-claro (lavoura, pasto ou, às vezes, floresta secundária). Em 12 anos, estradas e clareiras avançaram de Buritis para oés-noroeste, em direção ao rio Jaciparaná. A área desmatada ao longo da estrada para Nova Mamoré se expandiu para nor-nordeste até a rodovia BR-346.
O desmatamento segue um padrão bastante previsível nessas imagens. As primeiras clareiras aparecem em forma de espinha de peixe, enfileiradas nas margens das estradas. Com o tempo, as espinhas se fundem numa mistura de restos de floresta, áreas abertas e povoados. É uma das trajetórias de desmatamento mais comuns na Amazônia. Estradas legais e ilegais entram numa parte remota da floresta, e pequenos agricultores migram para lá. Eles ocupam terras à beira da estrada e derrubam parte delas para plantar. Em poucos anos, as chuvas fortes e a erosão esgotam o solo, e a produção cai. Os agricultores então transformam a terra degradada em pasto e derrubam mais floresta para plantar. No fim, os pequenos proprietários, já com boa parte da terra aberta, vendem ou abandonam os lotes para grandes pecuaristas, que os juntam em grandes áreas de pastagem.
A mudança estimada na área de floresta entre 2000 e 2008 aparece num mapa feito com dados de índice de vegetação do MODIS. Os lugares em vermelho perderam vegetação; os em tom pêssego mudaram pouco ou nada. Os vermelhos mais intensos indicam as maiores perdas — em geral, a derrubada completa da floresta original.
Todas as grandes florestas tropicais — nas Américas, na África, no Sudeste Asiático e na Indonésia — estão desaparecendo, principalmente para dar lugar à produção de alimentos, entre gado e lavouras. O desmatamento tropical atende a algumas necessidades humanas, mas também tem consequências profundas, às vezes devastadoras: conflitos sociais e violações de direitos humanos, extinção de plantas e animais e mudança do clima — desafios que afetam o mundo inteiro.
O que isso significa para a Reserva Legal
O padrão "espinha de peixe" de Rondônia mostra como o desmatamento avança: a estrada abre o caminho e as derrubadas se espalham a partir dela. As áreas que resistem nessa paisagem costumam ser justamente as Reservas Legais.
Por isso o monitoramento de uma reserva olha também para o entorno, não só para dentro do polígono. Na Neutraza, além do índice de cobertura da própria reserva, cruzamos o perímetro com os alertas do DETER e o histórico do PRODES, do INPE: uma derrubada recente na vizinhança é um sinal a acompanhar de perto.
O apoio a uma reserva tem efeito justamente nesse lugar: dar ao proprietário um motivo concreto para manter a floresta quando o vizinho já abriu a área.
Fonte: World of Change: Amazon Deforestation — NASA Earth Observatory. Texto original de agência do governo dos EUA, em domínio público. Imagem: NASA/USGS, da mesma matéria. Tradução para o português: Neutraza.